Uma desaceleração percebida a partir deste mês de novembro junto ao varejo fez com que a consultoria IDC reduzisse todas as suas estimativas de vendas de PCs no Brasil e na América Latina para 2009. Segundo Eric Prothero, vice-presidente da IDC para a América Latina, "até 15 de outubro estava tudo normal", mas a partir de novembro o varejo começou a reportar um crescimento menor na demanda por eletrônicos.
Enquanto em agosto deste ano a IDC projetava um aumento de 14,4% na receita com os produtos de informática no país, agora já espera que o salto seja de 9%. Em relação às vendas especificamente de PCs, a IDC reduziu a estimativa de crescimento, antes de 18%, para 10%. As vendas de impressoras passaram pelo mesmo processo e agora a consultoria espera que suas vendas cresçam 6,6%, ante a estimativa anterior de 14%.
Segundo Prothero, "o Brasil é como um trem em alta velocidade, não consegue parar de um momento para outro". Por isso, a consultoria projeta que o movimento de desaceleração iniciado em novembro se reflita nos índices de crescimento de 2009.
Ele ainda salienta que as reduções nas estimativas ainda não são finais. "As coisas estão mudando, pode ser que (a estimativa) caia ainda mais", afirmou. Uma das variáveis que pode influenciar esses números, segundo ele, seria um aumento no desemprego brasileiro.
Planos de compra adiadosComo explicou o executivo, a consultoria ouviu 200 consumidores brasileiros, dos quais 45% manifestaram a intenção de adiar seus planos de comprar computadores em pelo menos três meses. Um terço dos pesquisados também informou que pretende adquirir um modelo mais simples e barato do que o que tencionava fazer antes.
"As pessoas estão preocupadas com a inflação", afirmou Prothero, em uma teleconferência com jornalistas. Ele também citou a alta do dólar, encarecendo os produtos (que têm altos índices de componentes importados), e a menor oferta de crédito entre as razões para a queda.
Segundo ele, "fevereiro vai ser o mês mais crítico" porque em dezembro as pessoas ainda têm 13º salário e janeiro é tradicionalmente fraco, por ser um mês em que as famílias acumulam muitas contas. "A partir de fevereiro, as famílias não terão dinheiro para comprar um PC novo", disse. Na sua avaliação, se a indústria tiver um fevereiro muito ruim, "vai ser difícil recuperar o ano".
América Latina seguirá tendênciaA consultoria IDC também revisou a expectativa de crescimento para a América Latina. Na receita do setor de informática como um todo, o índice esperado, que era de 13,7% de crescimento em agosto, caiu para 7,8%. De acordo com Prothero, "na América Latina o Brasil é o que tem mais chance de sofrer menos".
Ele ainda ressaltou que, apesar da queda nas previsões, a América Latina e o Brasil deverão apresentar crescimentos bem maiores que a média global ou que os mercados maduros.
A previsão da IDC é que as vendas de itens de informática cresçam 2,6% em receita mundialmente. Nos Estados Unidos, por exemplo, haverá decréscimo de 1% sobre o ano anterior, enquanto na Europa o crescimento esperado é de 1,2%.
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
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