quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Download - Yahoo deve decidir seu futuro e depois o novo líder

No Vale do Silício, a brincadeira que domina as conversas é adivinhar quem substituirá Jerry Yang no comando do Yahoo, o problemático gigante da Internet.
Yang, co-fundador da empresa, anunciou na segunda-feira que deixaria o posto de presidente-executivo assim que um sucessor for selecionado, e retornaria ao seu posto de "Yahoo chefe", a posição estratégica que ele detinha antes dos 18 turbulentos meses que passou ao leme da empresa.
Mas mesmo antes que o novo presidente da empresa seja selecionado, o Yahoo tem uma decisão ainda mais importante a tomar, dizem analistas e outros observadores do mercado de Internet. A companhia precisa decidir se deseja se manter independente e promover crescimento em diversos setores enquanto combate o Google no crucial segmento das buscas na Internet, ou se por fim acatará os conselhos dos especialistas em aquisições e fusões e venderá ao menos parte da empresa a outro grupo de Internet, mais provavelmente a Microsoft.
Os acionistas do Yahoo estão claramente torcendo por uma venda. As ações do grupo subiram em 8,7%, ou US$ 0,92, na terça-feira, atingido a marca de US$ 11,55, em larga medida devido à esperança de que a saída de Yang ajude a conduzir a empresa a um acordo com um comprador.
Steven Ballmer, o presidente-executivo da Microsoft, vem declarando repetidamente que não tem mais interesse em fazer nova oferta pelo Yahoo, mas expressou interesse pela aquisição dos negócios de busca do grupo.
Muitos observadores e veteranos da Internet concordam em que essa continua a ser a opção mais interessante para a empresa.
"O Yahoo continua de muitas maneiras a ser a marca definitiva da Internet, ao olhos dos consumidores, mas não acredito que eles devam ou possam continuar concorrendo com o Google por muito mais tempo", disse Ross Levinsohn, antigo presidente da Fox Interactive Media. "Esse jogo acabou para eles".
Caso o conselho do Yahoo concorde com essa interpretação, sua escolha para o comando da empresa deve ser um executivo experiente com um bom retrospecto no campo de fusões e aquisições, mas que também tenha competência para gerir as propriedades de mídia online que restarão ao grupo depois de qualquer transação.
Os possíveis candidatos que personificariam essa visão para o Yahoo incluem, por exemplo, Peter Chernin, presidente da News Corp.; Honathan Miller, antigo presidente-executivo da America Online; e John Chapple, presidente da Hawkeye Investments, que era parte da chapa alternativa que o investidor Carl Icahn propôs para o conselho do Yahoo durante a disputa pelo comando do grupo que aconteceu na assembléia geral de acionistas da empresa, alguns meses atrás.
Mas alguns observadores imaginam que o conselho do Yahoo possa deixar de lado qualquer acordo com a Microsoft e optar por um líder que estabilize a empresa, unifique seus funcionários e tente aproveitar ao máximo os amplos ativos tecnológicos de que ela dispõe. Os possíveis candidatos, nesse caso, teriam de apresentar um retrospecto forte em tecnologia, e incluiriam Marc Andreessen, co-fundador da Netscape, e Jeff Jordan, antigo executivo do eBay que hoje dirige a OpenTable, uma empresa que fornece sistemas online de reservas a restaurantes.
Susan Decker, presidente do Yahoo, também pode ser considerada para o cargo, embora os analistas acreditem que qualquer pessoa relacionada à atual liderança da companhia venha a despertar considerável ceticismo da parte dos investidores.
O setor publicitário está entre os torcedores para que o Yahoo se mantenha independente e intacto. As agências de publicidade muitas vezes consideram Google e Microsoft como concorrentes ameaçadores que cada vez mais se esforçam por intermediar a venda de publicidade em todos os formatos de mídia, e em alguns casos até ajudam os anunciantes a criar conteúdo publicitário próprio.
O Yahoo, por outro lado, continua a ser um amigo nada ameaçador.
"O setor publicitário não deseja que mais uma grande empresa da Internet caia sob o controle de alguém que concorra contra ele", disse Mike Leo, presidente-executivo da Operative, uma empresa que desenvolve tecnologia para publicidade online.
Para evitar transações que envolveriam a dissolução do Yahoo, um novo presidente teria de por fim resolver alguns dos conflitos culturais bem documentados que antigos funcionários da empresa dizem se ter agravado na gestão de Yang.
Entre eles estão o clima de decisão, as reuniões constantes e intermináveis e a sobreposição generalizada de responsabilidades. O novo líder também terá de lidar com um longo legado de decisões executivas incompreensíveis - como o anúncio de que 10% da força de trabalho da empresa seria demitida, feito na semana passada pelo Yahoo, que acrescentou no entanto que os nomes só seriam revelados em dezembro. Isso causará dois meses de incerteza entre os funcionários do grupo.
O que quer que o conselho decida fazer, o Yahoo disporá de ativos consideráveis para implementar o novo plano. A empresa recebe 500 milhões de visitantes ao mês, é o maior serviço de e-mail da web e opera diversos outros sites e serviços lucrativos de Internet em segmentos como notícias, esportes e vídeo.
Além disso, a marca do Yahoo continua a ser uma das maiores da Internet, mesmo que o ponto de exclamação que a companhia utiliza no final de seu nome pareça agora um sinal de exuberância indevida.
"Não estamos falando de mais uma America Online. O Yahoo tem mesmo uma audiência grande e leal que não abandonará a empresa", disse David Card, analista do grupo de pesquisa de mercado Forrester. "Eles simplesmente precisam aprender a escolher melhor suas batalhas".

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